O amor a pagamento

O amor a pagamento

Estamos acostumados a ver mulheres bonitas de braços dados com homens... menos bonitos e, geralmente, muito mais velhos. Na mesma medida, o “sexo forte” (mas jovem) também às vezes escolhe reforçar a sua situação financeira ao lado de uma mulher rica e com um pouco mais experiência... na vida.

Por que é que isso acontece? É simples. Para a preservação e perpetuação da espécie. Desde os tempos antigos, quando o homem vivia nas cavernas e admirava as suas pinturas rupestres (um hábito que continua também hoje em dia colando cartazes de carros, mulheres ou homens em quase todas as paredes do quarto), a sobrevivência da vida humana era condicionada por três factores essenciais: ALIMENTAÇÃO, SEGURANÇA e SEXO. Assim, a mulher (“o sexo fraco”) escolhia o homem mais forte, capaz de caçar e proteger a caverna, e ele escolhia a parceira que tinha os seios mais grandes e os quadris mais largos, para ser capaz de “conter” e automaticamente de procriar descendentes saudáveis.

Desde então, as coisas essencialmente não mudaram de forma significativa. No máximo... evoluiram (em termos de justificação e manifestação), assumindo conotações que a sociedade, desde o modernismo, sentiu necessidade de cobrir de aparências mais sofisticadas (e hipócritas), para lhes conferir valências de “moralidade”, legitimidade ou, por que não, elitismo. E depois das reviravoltas desse “progresso” complicado, apareceu um novo concepto, extremamente contagioso e doente: O DINHEIRO.

As mulheres continuam a procurar fervorosamente homens laboriosos, pois a barbaridade transformou-se numa “selva urbana”, e o poder e a protecção concentraram-se num único factor comum, adaptado às novas condições de vida: a potença financeira. Mesmo que nem sempre se trate de potência... física, inteligência ou outros traços ou aptidões (determinadas por um relacionamento descrito nos versos dos poemas românticos), para garantir o próprio bem-estar e da tranquilidade da alma, a mulher está disposta (frequentemente) a ignorar esses... “pequenos detalhes”.

Afinal de contas quem é que não queria ir pelas lojas na companhia do cartão de crédito do namorado, sem pensar com dor na alma ao preço do par de sapatos de marca (tão atraentes expostos na janela), ao preço da bolsa que combina PERFEITAMENTE com aqueles sapatos ou ar valor total de muitas outras “bagatelas” e depois, à tarde, fazer uma visita reconfortante para o salão de beleza ou no café elegante onde geralmente se encontram as “meninas” (as suas amigas, todas casadas com pessoas importantes). E para que o dia seja realmente como uma página de um conto de fadas, depois de ter chegado em casa e ter saboreado uma salada frugal de legumes ou frutas, já que está fazendo uma dieta e só quer deitar-se um pouco no quarto de relaxamento, ligar para “aquele” rapaz sexy e jovem que faz uma massagem incrivelmente refrescante.

Paradoxalmente, as aparentemente combinações incomuns do tipo “dou-te... ofereces para mim”, leva honestamente e de forma absolutamente funcional o carácter de comércios equitativos, sobretudo considerando os resultados finais: a espécie é protegida e perpetuada, e apesar do facto que muitos não entendem como isso se faz, a selecção natural segue os críterios que apenas as mulheres conhecem.

Se devemos falar da categoria masculina implicada nas “trocas sentimentais”, desde os tempos pré-históricos e até os nossos tempos, as coisas não mudaram quase nada. Os olhos deles continuam a procurar seios grandes e traseiros arredondados (como verdadeiros radares especializados apenas em “preminências”), e o pensamento na reproducção concretiza-se “visivelmente” quase a cada momento.

Além dos instinctos específicos dos homens, devemos admitir que um indivíduo rico tem mais desinibições, é mais propenso para a aventura e não menos importante, pode dar-se ao luxo de extravagâncias com que um jovem com um salário “estreante”, que ainda mora na casa dos pais e tem um carro de pequena capacidade (dom recebido na graduação), pode apenas sonhar.

Para encontrar esse tipo de “protectores”, cada mulher tem o seu plano e os seus métodos bem estabelecidos (com antecedência, nos mínimos detalhes). Mas não são poucos os casos quando ela deve estar pronta também para ser recusada, mesmo que a auto-confiança na própria presença e beleza é sem limites, e a imagem no espelho conferma inequivocamente que ela é o “melhor partido”. O dinheiro amontoado nos bolsos dos homens, trazem consigo também uma série de exigências mais refinadas, mais selectivas. Assim, se os planetas fossem desalinhados, Marte retrógrado na casa do amor e o karma ficasse louco, as pretendentes podem encontrar um homem de negócios que analise com atenção a “oferta” delas, como na Wall Street, concluindo no final, usando o cinismo de um investitor, que não elas têm um portfólio de acções viáveis na bolsa do sexo. Mas isso não é absolutamente motivo para desespero. Uma antiga dica sábia diz que: “Nunca temos de correr atrás do autocarro e dos homens. Sempre... virá outro!” No mundo há uma multidão de outros “paizinhos” ansiosos por ter relações com mulheres ingênuas, “fracas”, que eles possam ajudar, que possam “criar” e proteger, tal como um artista (um pouco vicioso) que concebe e admira (ao mesmo tempo) a sua opera.

Claro, o problema pode ser visto do outro lado também, pois há também mulheres ricas (com uma idade respeitável), que dirigem a sua atenção para uma vida ao lado dos homens jovens. Mas mesmo que o número delas seja mais limitado e esses casos sejam menos explorados pelos mídia, a sua existência não pode ser contestada. A nível sociológico, a explicação das relações desse tipo tem origens nas reminiscências do antigo matriarcado, período em que a mulher era o “pilar da família” e tinha todas as principais responsabilidades familiares ou de grupo.

Geralmente, os homens percebem as mulheres em segunda idade como muito mais tolerantes e compreensivas, ao contrário das senhoritas obsecadas pelo controle, ciúmes e próprio aspecto físico, que implicam uma “sustentação” ou “provas de amor” com despesas muito para além do limite de um orçamento de bom senso.

Os homens gostam com que as mulheres cuidem deles e até amimá-los (até um certo ponto... que as mulheres maduras já conhecem muito bem). São raros os casos em que podem encontrar essas características numa moça que tem a sua mesma idade.

As mulheres com experiência de vida e que possuem (muito) dinheiro, têm uma sabedoria particular, sendo consideradas directas e decisas, sobretudo a nível dos próprios desejos (principalmente os do quarto). Além do mais, eles já satisfazeram há muito tempo os desejos clássicos impostos pela rotina social: marido, casa, filhos, e as expectativas que elas têm de um novo potencial parceiro (mais ou menos “oficial”) realizam-se desta vez no reino das aventuras, do relaxamento e das emoções vividas a nível máximo.

Conclusão: Considerando que o desejo de enriquecimento (a maioria das vezes indomável e anticipada pelos meios mais fáceis) determina tanto as mulheres, quanto os homens a serem cada vez mais egoístas e preocupados estritamente com o próprio interesse, tornando o Cartão Platinum o objectivo final da sua existência, o relacionamento com uma pessoa “interessante” a nível material parece ser a melhor e viável solução. Não é por nada mas da experiência decepcionante de demasiados outros “apaixonados”, o amor é sublime, mas... falta completamente.

E assim chegamos a citar o Machiavelli: “Os fins justificam os meios.”